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Contar os dias para ir não é viver.

por Sophie, em 09.07.13

 

 

 

  - "Uma semana". - Relembro as palavras do médico. - "Resta-lhe uma semana"...

 

    Bem, essa semana acabou. Estou a viver os últimos momentos da minha vida.

   Já não tenho medo, para ser sincero, penso que nunca temi este destino. Sinto é um aperto no coração sabendo que só vivi 16 anos, e quando penso nos meus pais e nos meu amigos sinto-me triste, mas o que custa mais, o que magoa mais é saber que deixarei o amor da vida, Lily.

   Não disse nada a ninguém, tentei ao máximo esconder a minha condição. Pensei que assim conseguiria aproveitar mais a companhia de todos aqueles que em breve irei deixar. 

   Não quis passar os últimos momentos da minha vida rodeado de lágrimas, mas sim de sorrisos. e para concluir esse objectivo, durante esta semana, não fui egoísta. Não viajei pelo mundo, não passei este tempo todo sentindo pena de mim mesmo, não fiz uma lista das coisas que queria fazer antes de partir.

   Tentei passar todos as manhãs com a minha familia, as tardes com Lily e as noites com os amigos. 

   Tentei fazê-los felizes. Principalmente Lily. Para ela, todas as tardes preparava algo romântico que sabia que ela iria adorar. 

    Hoje, o nosso último encontro teve de ser perfeito. Começámos no jardim, no nosso banco favorito com dois gatinhos que insistem em aparecer sempre que lá vamos, depois fomos comer gelado, coisa que ela adora, partimos depois para o parque de diversões e demos 3 voltas na roda gigante. Eu simplesmente amo a forma como o seu cabelo loiro se transforma em dourado com os raios de sol quando estamos mesmo no topo da roda, adoro como os seus olhos azuis brilhantes tentam memorizar cada jardim, cada edifício e cada nuvem no horizonte e a forma como me braça e me agradece com um doce beijo que quase faz o meu coração saltar um batimento.

 

   Ela não me perdoará por isto...

   Hoje falamos sobre casar. Ela estava tão feliz, tão cheia de vida e isso feriu-me imenso. Quando não podemos ter certas coisas, começamos a dar-lhes valor. Eu nunca irei casar, nunca terei filhos, nunca terei um "final feliz para sempre" com a pessoa que amo...

 

   É dia 21 de Dezembro.

 

   Estou a terminar a prenda da Lily.

   Um álbum de recordações com fotos dela, da sua família, dos nossos amigos e nossas.

   Vou arranjar maneira de entregar-lhe isto no dia de Natal, mesmo que já não esteja cá. Como no PS: I Love You. O seu livro favorito.

   Depois de todas as fotografias está uma folha escrita por mim, uma pequena mensagem para ela.

 

 

   "Amei-te desde o primeiro dia em que te vi.

   Não vou dizer para não ficares triste e não chorares, porque sei que o estás a fazer neste momento e lamento por te estar a causar esta dor. Mas a partir de agora, quero que tentes seguir em frente.

   Quero que te lembres de mim com um sorriso nos teus lábios e não com lágrimas nos olhos.

   Espero que me desculpes por não te contar o que me estava a acontecer, mas queria que os nossos últimos momentos juntos fossem perfeitos e alegres.

    Eu morri, mas tu continuas viva, por isso tens de continuar, tu és a prova que eu existi.

    Tens 16 anos, irás voltar a amar, prometo!

    Magoa, imagino que sim, mas irá deixar de doer com o tempo.

    Não quero que fiques presa nesta cidade para sempre por mim, quero que vejas o mundo, na última página estão dois bilhetes para Paris, a cidade que sempre desejámos ver juntos.

    Quero que vás e que me leves contigo na tua memória.

     Esta é a minha prenda de Natal para ti, mas só o início do álbum esta preenchido, o final tens de ser tu a completar.

     Isto não é o fim. É apenas uma despedida sem adeus, um eterno até já. 

     Quero que saibas que nada me faria mais feliz do que viver o resto da minha vida contigo a meu lado, como minha esposa e a mãe dos meus filhos.

     O mais difícil disto tudo não é a dor, é deixar-te!

 

 PS: Só para o caso de estares a considerar a hipótese de fazer a mesma estupidez que Julieta fez pelo seu Romeu, eu juro, arranjarei uma forma de voltar e teremos uma discussãozinha.

 

   Lily, o amor deles foi trágico, mas o nosso, foi épico...

 

    Amo-te!"

 

                                                                                                                                                                                                                Até Sempre,

                                                                                                                                                                                                                       Jared.


 

    Embrulhei o álbum com todo o cuidado do mundo e coloquei-o na secretária com um bilhete que pedia aos meus pais para entregar este presente a Lily no dia de Natal.

    Deixei também uma carta para eles e outra para os meus amigos.

    Peguei numa foto minha e de Lily, onde estávamos no jardim, com os gatinhos e a última coisa que me lembro antes de fechar os olhos é de sussurrar o seu nome.

 

       "Lily"...

 

 

 

 

 

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publicado às 19:37




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